Thursday, March 15

Wanaka - Makarora; 63,9kms

Marco 14

A segunda frente chegou em forca durante a noite, com frio, vento e chuva a potes. Decido fazer os sacos e ficar a espera a lareira a brincar com um doberman simpatico que e da senhora de limpeza. A minha teoria e que a seguir a frente fica so o frio, aguaceiros e vento a favor porque vai passar mais a sul. Nao e brilhante mas e melhor do que 4 ou 5 horas com chuva e frio. Aqui nao da para esperar pelas condicoes perefeitas, mas tambem nao e saudavel ir contra todos os factores maus em simultaneo. Sobretudo porque a ganhar altitude, nao tenho hipotese de aguentar frio se tambem estiver seriamente molhado.

A paisagem de Wanaka mudou: a chuva passa a neve acima dos 600m, e os topos das montanhas que anteontem, quando andavamos todos de calcoes e t-shirt estavam castanhos, agora estao brancos e as encostas polivilhadas como que de acucar.

Por volta das 10 a chuva parece menos forte, as 11 o vento comeca aos saltos, e ao meio dia ja esta reduzido a uma brisa de sul. Como o meu barometro comecou a subir por volta das 11 e, gracas a net, sabia que nao vinha outra, decido arriscar e saio por volta da uma ainda sob uns restos de chuvisco.

As nuvens ainda estao muito baixas, mas o vento ja esta estabelecido a favor, e vem da antartida, a queda da temperatura impressiona, e vou com duas camadas "tecnicas" e o impermeavel fechado ate ao queixo. Foi um passeio bastante atmosferico entre as nuvens baixas, os montes castanhos com acucar no topo, e a agua dos lagos cor de chumbo, tingido de jade escuro.


A estrada sai de Wanaka a subir em direccao ao Lago Hawea que e mais ou menos paralelo mas um pouco mais alto e mais curto. Sigo pela margem ocidental e no fim do lago viro por uma especie de istmo, conhecido como "the neck" que liga este lago a parte norte do de Wanaka.
Continuando pela margem este ate ao fim, comeco a subir pelo vale do Makarora.

Pouco a pouco o vale vai fechando e comeca a aparecer um pouco mais de vegetacao. Nao ha nenhuma habitacao, e so tive hipotese de parar para "abastecer" ja poucos kilometros antes de Makarora numa paragem de camionetas. Depois de um dia inteiro ao frio, ia derretendo ao tomar um enorme latte no ambiente aquecido.

Um pouco mais acima aluguei uma cabana para a noite e tratei de preparar a papa, na cozinha comunal. Dois casais australianos ofereceram-me cha e contaram historias de viagens de longo curso que tinham feito nos desertos deles. Em troca falei-lhes das expedicoes na America do Sul, e passamos um serao agradavel falar de planeamento e logistica de expedicoes, e outros temas de igual interesse :)


Essa noite perguntei-me porque seria que eram quase sempre os mais velhos que estabelecem contacto, e oferecem apoio e companhia e a ideia que se me ocorreu nao e totalmente confortavel. Sera que se eles me veem como "um deles", eu penso em mim proprio como mais novo; embora nao ao ponto de me identificar minimamentoe com os miudos excitados que por aqui circulam, de adrenalina em bebedeira. Esta assimetria de perspectiva faz com que me surpreenda quando "eles" me tratam com bem, com abertura e facilidade. Conclusao, nao pareco estar habituado a minha condicao real :)

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