Cromwell - Queenstown; 62,3 kms
Marco 7
Fiquei na ronha a espera que a chuva amainasse. Mas o barometro continuava a descer muito lentamente e a chuva constante, pelo que a frente ha tanto anunciada era daquelas lentas, ia tomar todo o seu tempo. E ainda faltava mais qualquer coisa...
As onze, ponderei a reserva de cama quie tinha sinalizado para essa noite com o cartao de credito. As onze e meia, lembrei-me que seria bom testar mais a fundo as propriedades impermeabilizantes do casaco e, mais importante, dos alforges sabendo que tinha o banho quente garantido. Ao meio dia e um quarto, estava na estrada a subir para o vale para a garganta do Kawarau sob chuva leve. Nao e facil fazer as malas numa micro-tenda de 2m x 1.5 sem molhar tudo quando se tem de caber tambem la dentro, mas estou a desenvolver a tecnica.
O caminho quase todo lembrou-me muito a Escocia: montes muito encrespados em castanho escuro, e muita pedra preta, e o rio Kawarau la em baixo um cinzento claro, cor de aco e gelo. So ha um sitio marcado no mapa a meio dos 65 kms para Queenstown, o vale de Gibbston. Passo toda essa subida a dizer-me que la poderei parar e tomar um mega-cafe com muito acucar e descongelar dedos das maos e pes. E vou andando a bom ritmo, com alguns pequenos problemas de visibilidade por causa da chuva nos oculos.
A estrada e bonita enrodilhada na garganta estreita tipo Lord of the Rings mas, mais associei aos anoes, nao sei porque. Ja bastante mais a frente confirma-se a minha suspeita que ainda faltava chegar a parte mais pesada da frente, e abrem-se verdadeiramente os ceus. Ai as coisas complicam-se um bocadinho, fica mais dificil escolher o caminho com a agua na estrada, e a visibilidade algo pior mas nada de dramatico.
O unico momento mais emocionante foi quando cheguei a uma escarpa encostada ao meu lado da estrada com um grande sinal de "rockfall" e torrentes de agua e lama a saltarem para o alcatrao. Havia felizmente uma barreira de rede e aco para apanhar o que fosse caindo, mas como de vez em quando ouvia claramente o estrondo de pedragulhos a bater contra o aco, e vi alguns calhaus de respeito, optei por um regresso as origens, guiando a direita (fora da estrada) ate ter passado a zona mais delicada.
Mais a frente a garganta abre e entro no vale de Gibbston, que nao sendo a principal, e uma das zonas de producao vinicola da NZ. Se percebi bem, conhecida sobretudo pelo pinot noir. Alguns dos meus amigos perceberao a significancia deste dado, e por isso o refiro, mas eu sou mais para a mecanica :) Nao irei mais longe do que dizer que o pouco vinho que mais tarde provei me soube bem.
E um contraste bonito e inesperado entre as vinhas que agora estao muito verdes, encaixadas nas encostas castanhas, com a garganta escura e tumultuosa donde acabava de emergir. Ha varias wineries espalhadas na paisagem com cartazes na estrada a convidar a prova. O que nao ha sao casas, lojas, aldeia, enfim nao ha o meu cafe, nem nada que remotamente se lhe assemelhe! Ao menos, a chuva entretanto comecou a passar a aguaceiros e aproveito uma aberta para parar, abrigado atras de um monumento aos mineiros (boa parte do Central Otago foi desenvolvido em vagas sucessivas de corridas ao ouro). Como a minha dose de scroggin, uma maca que tinha a mao sem abrir nada que se molhe, e ponho as luvas mais quentes. Nada a fazer para os pes: as minhas botas sao impermeaveis mas como a chuva escorre perna abaixo, enchem por cima e fazem um som mole com cada pedalada.
Mais a frente, ja com alguns rasgos de sol chego ao famosissimo Kawarau Bridge. Para os incultos, trata-se da ponte de onde o igualmente famoso A.J.Hackett fez o que se diz ser o primeiro bungy jump. Tal foi o impacto deste nova ideia que a ponte foi declarada monumento historico a preservar pelo estado kiwi. Deve ser das poucas obras publicas/monumentos nacionais com o objectivo de assegurar que o publico dela possa saltar.
Fiquei na ronha a espera que a chuva amainasse. Mas o barometro continuava a descer muito lentamente e a chuva constante, pelo que a frente ha tanto anunciada era daquelas lentas, ia tomar todo o seu tempo. E ainda faltava mais qualquer coisa...
As onze, ponderei a reserva de cama quie tinha sinalizado para essa noite com o cartao de credito. As onze e meia, lembrei-me que seria bom testar mais a fundo as propriedades impermeabilizantes do casaco e, mais importante, dos alforges sabendo que tinha o banho quente garantido. Ao meio dia e um quarto, estava na estrada a subir para o vale para a garganta do Kawarau sob chuva leve. Nao e facil fazer as malas numa micro-tenda de 2m x 1.5 sem molhar tudo quando se tem de caber tambem la dentro, mas estou a desenvolver a tecnica.
O caminho quase todo lembrou-me muito a Escocia: montes muito encrespados em castanho escuro, e muita pedra preta, e o rio Kawarau la em baixo um cinzento claro, cor de aco e gelo. So ha um sitio marcado no mapa a meio dos 65 kms para Queenstown, o vale de Gibbston. Passo toda essa subida a dizer-me que la poderei parar e tomar um mega-cafe com muito acucar e descongelar dedos das maos e pes. E vou andando a bom ritmo, com alguns pequenos problemas de visibilidade por causa da chuva nos oculos.
A estrada e bonita enrodilhada na garganta estreita tipo Lord of the Rings mas, mais associei aos anoes, nao sei porque. Ja bastante mais a frente confirma-se a minha suspeita que ainda faltava chegar a parte mais pesada da frente, e abrem-se verdadeiramente os ceus. Ai as coisas complicam-se um bocadinho, fica mais dificil escolher o caminho com a agua na estrada, e a visibilidade algo pior mas nada de dramatico.
O unico momento mais emocionante foi quando cheguei a uma escarpa encostada ao meu lado da estrada com um grande sinal de "rockfall" e torrentes de agua e lama a saltarem para o alcatrao. Havia felizmente uma barreira de rede e aco para apanhar o que fosse caindo, mas como de vez em quando ouvia claramente o estrondo de pedragulhos a bater contra o aco, e vi alguns calhaus de respeito, optei por um regresso as origens, guiando a direita (fora da estrada) ate ter passado a zona mais delicada.
Mais a frente a garganta abre e entro no vale de Gibbston, que nao sendo a principal, e uma das zonas de producao vinicola da NZ. Se percebi bem, conhecida sobretudo pelo pinot noir. Alguns dos meus amigos perceberao a significancia deste dado, e por isso o refiro, mas eu sou mais para a mecanica :) Nao irei mais longe do que dizer que o pouco vinho que mais tarde provei me soube bem.
E um contraste bonito e inesperado entre as vinhas que agora estao muito verdes, encaixadas nas encostas castanhas, com a garganta escura e tumultuosa donde acabava de emergir. Ha varias wineries espalhadas na paisagem com cartazes na estrada a convidar a prova. O que nao ha sao casas, lojas, aldeia, enfim nao ha o meu cafe, nem nada que remotamente se lhe assemelhe! Ao menos, a chuva entretanto comecou a passar a aguaceiros e aproveito uma aberta para parar, abrigado atras de um monumento aos mineiros (boa parte do Central Otago foi desenvolvido em vagas sucessivas de corridas ao ouro). Como a minha dose de scroggin, uma maca que tinha a mao sem abrir nada que se molhe, e ponho as luvas mais quentes. Nada a fazer para os pes: as minhas botas sao impermeaveis mas como a chuva escorre perna abaixo, enchem por cima e fazem um som mole com cada pedalada.
Mais a frente, ja com alguns rasgos de sol chego ao famosissimo Kawarau Bridge. Para os incultos, trata-se da ponte de onde o igualmente famoso A.J.Hackett fez o que se diz ser o primeiro bungy jump. Tal foi o impacto deste nova ideia que a ponte foi declarada monumento historico a preservar pelo estado kiwi. Deve ser das poucas obras publicas/monumentos nacionais com o objectivo de assegurar que o publico dela possa saltar.
Finalmente, umas 4 horas e meia de caminho apos Cromwell, entro no transito suburbano de Queenstown, seguindo a margem do enorme lago de Waikatipu ate a cidade.
Instalado no meu quarto/caixote faco um enorme estendal de modo a secar a tenda e rever a tralha em geral. Tudo impecavelmente seco, os Ortlieb merecem de facto a reputacao e a quota de mercado entre os cicloturistas longa-distancia.
So me resta repor o combustivel gasto. Queenstown arrebenta de restaurantes e opto por um jantar indiano a serio. Um problema, tenho as botas literalmente cheias de agua e urge secar so que nao tenho mais sapatos (peso, espaco etc.) So tenho umas sandalias de kayak/praia que uso para duches etc. Mas e que esta frio, e vi-me pois forcado a sair a rua, mais a entrar num restaurante, de sandalias e meias de la :( Malta, sei que tenho um lado mais piegas, mas nao sabem a impressao que me fez. Quem nao acreditar pode fazer a experiencia: passeiem a pe na rua um bocadinho e depois vao a um restaurante razoavel, de que gostem, assim calcados. Vao ver que se sentem diferentes, incomodados, nao sei, como que sem confianca em si... Um desafio, digo-vos.
3 comments:
Para te facilitar a escolha, junto uma pequena lista dos melhores Pinot Noir dessas paragens.
Um abraço,
CJ
2004, Craggy Range Pinot Noir Martinborough Te Muna Road Vineyard
2003, Akarua Pinot Noir Central Otago Bannockburn
2003, Craggy Range Pinot Noir Martinborough My Selection Te Muna Block 1
2003, Amisfield Pinot Noir Central Otago
2000, Ata Rangi Pinot Noir Martinborough
2002, Felton Road Pinot Noir Central Otago Block 3
2001, Murdoch James Estate Pinot Noir Martinborough
2005, Nobilo Pinot Noir Marlborough Icon
2003, Olssens Pinot Noir Central Otago Slapjack Creek
2000, Pegasus Bay Pinot Noir Waipara
2001, Pegasus Bay Pinot Noir Waipara Prima Donna
2002, Spy Valley Pinot Noir Marlborough
2004, Te Kairanga Pinot Noir Martinborough Runholder
2002, Amisfield Pinot Noir Central Otago
2002, Dog Point Pinot Noir Marlborough
2004, Felton Road Pinot Noir Central Otago Block 3
2004, Felton Road Pinot Noir Central Otago Block 5
2001, Gibbston Valley Pinot Noir Central Otago
2000, Giesen Pinot Noir Canterbury Reserve Barrel Selection
2004, Matua Pinot Noir Marlborough Estate Series
2001, Mount Cass Pinot Noir Waipara Valley
1998, Mountford Pinot Noir Waipara Valley
2001, Mountford Pinot Noir Waipara
2000, Murdoch James Estate Pinot Noir Martinborough Fraser
2001, Nga Waka Pinot Noir Martinborough
2002, Olssens of Bannockburn Pinot Noir Central Otago Jackson Barry
2001, Palliser Pinot Noir Martinborough Pencarrow
1998, Pegasus Bay Pinot Noir Waipara
2000, Peregrine Pinot Noir Central Otago
2002, Rockburn Pinot Noir Central Otago
2003, Rockburn Pinot Noir Central Otago
2000, Rowland Pinot Noir Central Otago Jill's Vineyard
2002, Rowland Pinot Noir Central Otago Jill's Vineyard
2004, Seresin Pinot Noir Marlborough Leah
2000, Te Kairanga Pinot Noir Martinborough Reserve
2004, Three Miners Pinot Noir Central Otago Earnscleugh Valley
2003, Valli Pinot Noir Central Otago Gibbston Vineyard
2003, Vavasour Pinot Noir Marlborough Awatere Valley
2005, Vidal Pinot Noir Marlborough
2002, Villa Maria Pinot Noir Marlborough Reserve
2004, Villa Maria Pinot Noir Marlborough Reserve
Mas não percas a ocasião para provares os brancos (Chardonnay e Sauvignon Blanc) que em termos comparativos são de um nível superior aos tintos.
Um abraço,
CJ
Pequena lista ordenada dos melhores NZ WW
1996, Cloudy Bay Sauvignon Blanc Marlborough
1995, Morton Chardonnay Hawkes Bay
2002, Cloudy Bay Sauvignon Blanc Marlborough
1987, Kumeu River Chardonnay Kumeu
2003, Kumeu River Chardonnay Kumeu Matés Vineyard
2004, Kumeu River Chardonnay Kumeu Maté's Vineyard
2000, Kumeu River Chardonnay Kumeu
2001, Kumeu River Chardonnay Kumeu
1994, Kumeu River Chardonnay Kumeu
2004, Matua Sauvignon Blanc Marlborough Paretai
2005, Matua Sauvignon Blanc Marlborough Paretai Estate Series
1989, Nobilo Chardonnay Gisborne Tietjen Vineyard Reserve
2000, Thornbury Sauvignon Blanc Marlborough
1998, Brancott Chardonnay Marlborough Renwick Estate
1998, Cloudy Bay Sauvignon Blanc Marlborough
1986, Corbans Chardonnay Marlborough
2006, Kim Crawford Sauvignon Blanc Marlborough
2005, Huia Sauvignon Blanc Marlborough
1991, Kumeu River Chardonnay Kumeu
1996, Kumeu River Chardonnay Kumeu
1992, Kumeu River Chardonnay Kumeu
2004, Kumeu River Chardonnay Kumeu
2002, Kumeu River Chardonnay Kumeu Maté's Vineyard
2002, Kumeu River Chardonnay Kumeu
1999, Kumeu River Chardonnay Kumeu
1993, Kumeu River Chardonnay New Zealand
1997, Kumeu River Chardonnay Kumeu Maté's Vineyard
1997, Lawson's Dry Hills Sauvignon Blanc Marlborough
1992, Martinborough Chardonnay
2000, Martinborough Sauvignon Blanc Martinborough
2002, Mount Riley Chardonnay Marlborough Seventeen Valley
2000, Nga Waka Chardonnay Martinborough
1999, Omaka Springs Chardonnay Marlborough
1996, Palliser Sauvignon Blanc Martinborough
2006, Saint Clair Sauvignon Blanc Marlborough Pioneer Block 7
2001, Thornbury Chardonnay Marlborough
2002, Ata Rangi Sauvignon Blanc Martinborough
1998, Babich Chardonnay Hawkes Bay The Patriarch
1998, Babich Chardonnay Hawkes Bay Irongate
1999, Babich Chardonnay Hawkes Bay The Patriarch
1998, Brancott Sauvignon Blanc Marlborough Brancott Estate
2001, Brancott Sauvignon Blanc Marlborough Reserve
1999, Brancott Chardonnay Gisborne Ormond Estate
1998, Chancellor Sauvignon Blanc Waipara Mt Cass Road
1992, Cloudy Bay Chardonnay Marlborough
1997, Cloudy Bay Sauvignon Blanc Marlborough
2001, Cloudy Bay Sauvignon Blanc Marlborough
2000, Cloudy Bay Sauvignon Blanc Marlborough
1997, Kim Crawford Chardonnay Gisborne Tietjen
2004, Kim Crawford Chardonnay Gisborne Tietjen-Briant
2000, Kim Crawford Chardonnay Gisborne Tietjen
2004, Kim Crawford Sauvignon Blanc Marlborough
2004, Dog Point Sauvignon Blanc Marlborough
2005, Dog Point Sauvignon Blanc Marlborough
2005, Drylands Sauvignon Blanc Marlborough
2004, Forrest Sauvignon Blanc Marlborough
2005, Framingham Sauvignon Blanc Marlborough
1996, Giesen Chardonnay Canterbury Barrel Selection Reserve
1998, Giesen Riesling Canterbury Reserve Selection
2001, Goldwater Sauvignon Blanc Marlborough Dog Point
2002, Highfield Sauvignon Blanc Marlborough
2002, Huia Sauvignon Blanc Marlborough
2001, Isabel Sauvignon Blanc Marlborough
1994, Jackson Chardonnay Marlborough Reserve
1996, Jackson Chardonnay Marlborough
2000, Kemblefield Chardonnay Hawkes Bay
2004, Konrad & Co. Sauvignon Blanc Marlborough
1989, Kumeu River Chardonnay Kumeu
2004, Kumeu River Chardonnay Kumeu Village
2003, Kumeu River Chardonnay New Zealand
1998, Kumeu River Chardonnay Kumeu
1999, Lynskeys Sauvignon Blanc Marlborough
2000, Lynskeys Chardonnay Marlborough Wairau Peaks
2002, Lynskeys Chardonnay Marlborough Wairau Peaks
1995, Matua Chardonnay Gisborne Judd Estate
1997, Matua Chardonnay Waimauku Ararimu
1994, Matua Chardonnay Gisborne Ararimu
1997, Matua Chardonnay Gisborne Judd Estate Innovator
1996, Morton Chardonnay Hawkes Bay Black Label
1999, Mountford Chardonnay Waipara Valley
1992, Neudorf Chardonnay Nelson Moutere
1990, Nobilo Chardonnay Gisborne
2002, Nobilo Sauvignon Blanc Marlborough Icon Series
2000, Okahu Chardonnay Northland Clifton
2004, Palliser Sauvignon Blanc Martinborough Pencarrow
1995, Sacred Hill Chardonnay Hawkes Bay Riflemans
2004, Sacred Hill Sauvignon Blanc Marlborough Marlborough Vineyards
2002, Saint Clair Chardonnay Marlborough Omaka Reserve
2003, Saint Clair Sauvignon Blanc Marlborough Wairau Reserve
2006, Saint Clair Sauvignon Blanc Marlborough
2004, Saint Clair Sauvignon Blanc Marlborough Vicar's Choice
2004, Saint Clair Sauvignon Blanc Marlborough
2005, Allan Scott Sauvignon Blanc Marlborough
1999, Selaks Sauvignon Blanc Marlborough Premium Selection
2005, Shepherds Ridge Sauvignon Blanc Marlborough
1997, Sinclair Sauvignon Blanc Marlborough
2000, Te Kairanga Chardonnay Martinborough Reserve
2005, Te Kairanga Sauvignon Blanc Martinborough
1999, Te Mata Sauvignon Blanc Hawkes Bay Cape Crest
2001, Thornbury Sauvignon Blanc Marlborough
Meu velho, teria de imigrar definitivamente para comcar a trabalhar nesta tua lista!
O melhor e nao te vou falar na cerveja das microbreweries que tenho encontrado :)
p
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